A cantora, rapper, DJ e produtora cultural Rafa Militão apresenta o single “Herança”, já disponível nas plataformas digitais, e realiza, nesta sexta-feira (15/08), às 19h30, a exibição aberta do curta-metragem homônimo no Campo do Betanhão (Rua Cinco de Fevereiro, s/n), em Manaus. Dirigido, roteirizado pela cineasta e artista visual Keila-Sankofa, com trilha de Rafa Militão e participação de Márcia Siqueira, o projeto cruza música e imagem para afirmar uma poética de ancestralidade afroamazônica, território e memória. “O filme musical ‘Herança’ é um trabalho que amadureço desde 2023, pois sabia que precisava reunir artistas que são movimento nessa terra ancestral, habitada muito antes dos colonizadores.” Assim define Keila-Sankofa, que também ressalta a construção do videoclipe: “Esse é um projeto único, surgido do zero, onde uma artista das visualidades se une com uma artista da música para construir um projeto coletivo. Seu nome não é à toa, é poderosamente marcado nessa narrativa, com a participação de nossas famílias na produção das imagens. A sobrinha dela aparece cantando, as avós também, a minha filha toca atabaque, o Herança tem na tela a nossa família”.
Misturando rap, boi-bumbá, guitarrada e maracatu, “Herança” marca uma fase mais experimental na trajetória de Rafa, artista nascida e criada na Zona Sul de Manaus, com passagens por festivais como Rock in Rio, Afropunk Bahia e Se Rasgum. A produção musical é de Viktor Judah. “O caminhar sonoro das penas, cabaças e cuias guiou o meu desejo de construir uma obra visual que reunisse essas vozes da Amazônia”, complementa Keila-Sankofa. “Cabaças, cuias, chocalhos, banhos de dendê, acarajés e corpos em ritual fazem parte da narrativa visual construída, com objetos e gestos que integram o discurso da obra”, explica.
A estreia comunitária no bairro onde a artista cresceu reforça o caráter coletivo do lançamento e amplia o acesso ao cinema e à música produzidos na região. Após a sessão, haverá bate-papo com a equipe artística. Sobre o sentido do trabalho, Rafa destaca: “Quero que as pessoas se emocionem e entendam a força que atravessa gerações, a força ancestral que nos rege e nos guia. ‘Herança’ não é só sobre mim; é sobre nós, mulheres amazônidas e nosso povo, sobre as nossas anciãs. É memória viva sendo recontada.”
Rafa completa: “A gente não consegue mudar o começo, mas pode mudar o final. Recontar nossas histórias por um ponto de vista de força e vitória é a forma que encontramos de transformar esse final, documentar e registrar.”
“Herança” é contemplado pela Lei Paulo Gustavo 2023 – Governo do Estado do Amazonas.























































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