Polícia Federal aponta que órgão público alvo de operação no AM teve conhecimento prévio da ação e entregou computador ‘corrompido’ a agentes
Operação foi realizada no âmbito de uma investigação que apura o suposto uso da estrutura do Governo do Amazonas em benefício da campanha à reeleição do governador Roberto Cidade (União Brasil).
Outro ponto destacado pela PF foi o fato de a Aadesam já ter conhecimento da decisão judicial antes da chegada dos agentes.
Segundo o relatório, funcionários e o presidente da agência informaram que a ordem havia sido identificada por meio de uma notificação automática do sistema processual. Por isso, os documentos requisitados pela Justiça já estariam separados quando a equipe policial chegou ao local.
A PF registrou que a defesa da instituição entregou espontaneamente um pen drive de 128 GB contendo documentos que, segundo o advogado da agência, atendiam às determinações judiciais. O dispositivo também foi apreendido.
“Ao início da diligência, o advogado informou haver protocolizado petição nos autos da medida cautelar, com pedido de revogação da decisão instruída com cópia da documentação exigida. Na sequência, apresentou dispositivo de armazenamento do tipo pen drive, marca Multilaser, de 128 GB, informando conter a documentação relativa aos itens descritos no mandado”, registraram os investigadores.
Notebook foi encontrado após negativa de servidores
A PF também relata que encontrou um notebook na antessala da Presidência da Aadesam.
Segundo os investigadores, William Alexandre Silva de Abreu e outros servidores haviam informado que não existiam outros notebooks, mídias removíveis ou celulares corporativos no local. Apesar disso,durante as buscas, os agentes localizaram o equipamento ao lado do computador usado pela Presidência.
“Questionados especificamente acerca da existência de notebooks, mídias removíveis e aparelhos celulares corporativos naquele ambiente, o presidente e os funcionários responderam verbalmente que não havia outros equipamentos no local. Prosseguindo a busca na antessala, e não obstante a resposta negativa acima referida, foi ali localizado um notebook da marca Samsung, acompanhado de carregador, ao lado do computador do tipo all in one indicado como sendo o de uso da Presidência”, registram os investigadores no relatório.
Além desse equipamento, a PF apreendeu outro computador utilizado pela Presidência e um celular que, segundo o relatório, era usado em comunicações com funcionários e foram desligados nos dias 3 e 4 de julho deste ano.
Defesa contestou apreensões
Sede da Aadesam durante cumprimento de mandado de busca e apreensão pela PF — Foto: Reprodução/Relatório da PF obtido pelo g1
A PF informou que o advogado da Aadesam contestou verbalmente a retirada dos computadores, argumentando que a decisão judicial não autorizava a apreensão física dos equipamentos.
Os investigadores afirmam, porém, que a alegação não foi acolhida porque o mandado não continha essa restrição. Segundo a PF, a apreensão foi necessária para preservar a cadeia de custódia dos dados e evitar possíveis alterações nas informações armazenadas.
Outras buscas
Além da ação na Aadesam, a PF cumpriu outros mandados de busca e apreensão, na Zona Sul da capital, relacionados à mesma investigação.
Em um comitê de campanha localizado no bairro Japiim, os investigadores procuravam computadores que, segundo a decisão judicial, poderiam conter registros paralelos de gastos de campanha feitos com dinheiro em espécie. Nenhum dos equipamentos mencionados foi encontrado.
A PF apreendeu apenas um notebook localizado no térreo do imóvel, que estava protegido por senha e não pôde ser acessado no local.
Em outro endereço, no bairro Morro da Liberdade, os policiais encontraram um caderno com nomes de pessoas que aparentavam trabalhar na campanha. Como não havia registros de valores, o material não foi apreendido.
Já em uma entidade localizada no bairro Aparecida, nenhum material relacionado à investigação foi encontrado, segundo a PF.
O que diz o Governo do Amazonas
Em nota, o Governo do Amazonas afirmou que a Aadesam tem prestado todos os esclarecimentos solicitados pelas autoridades e mantém postura de colaboração com a Justiça.
Segundo o Executivo estadual, a agência já havia encaminhado espontaneamente documentos relacionados ao caso antes do cumprimento do mandado de busca e apreensão e seguirá à disposição para fornecer novas informações.
O vice-governador Serafim Correa afirmou desconhecer a existência dos fatos e negou qualquer prática ilícita. “Não aceito nenhuma acusação de um fato que, se é que existiu, eu não pratiquei. Ponto final”, disse.
O g1 entrou em contato com o governador Roberto Cidade, mas até a última atualização desta reportagem, não houve resposta. A reportagem também tenta contato com a defesa do presidente da Aadesam, William Abreu.
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