Em meio a um cenário de dificuldades enfrentadas pela população, a Prefeitura de Itapiranga voltou a ser alvo de críticas após a divulgação de um contrato milionário firmado para a montagem de estruturas de eventos.
O documento, publicado no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) e confirmado por portais de transparência, revela que a administração municipal autorizou uma despesa superior a R$ 8,3 milhões com tendas, palcos, camarotes, banheiros químicos e telões de LED.
O contrato, referente ao Pregão Eletrônico nº 011/2025, foi assinado no dia 14 de julho de 2025, e teve como empresa vencedora a S. Araújo Monteiro LTDA, sediada em Iranduba (AM). Segundo o edital, a contratação tem caráter “eventual”, mas o montante milionário chamou a atenção de moradores e levantou questionamentos sobre as reais prioridades da gestão municipal.
Enquanto o prefeito investe milhões em festas e estruturas temporárias, comunidades rurais e bairros urbanos continuam enfrentando falta de água, ruas esburacadas e unidades de saúde em condições precárias.
O contraste entre a realidade vivida pelos moradores e o valor gasto com eventos tem gerado forte repercussão nas redes sociais e nos bastidores políticos da cidade.
Além do valor exorbitante, o edital prevê uma ampla lista de itens, incluindo locação de camarotes VIP, telões de alta resolução e palcos de grande porte — estruturas que, segundo críticos, são incompatíveis com a realidade financeira e social do município.
Para muitos, o gasto é “um escândalo travestido de entretenimento”, principalmente num momento em que a cidade enfrenta desafios básicos em infraestrutura e serviços públicos.
Licitação sob suspeita e falta de transparência
Outro ponto que vem sendo questionado é a transparência do processo licitatório.
O edital não detalha de forma clara os critérios que justificaram o valor global de mais de oito milhões de reais, tampouco as reais necessidades que demandariam um investimento tão elevado.
A ausência de uma estimativa detalhada de custos reforça as suspeitas de superfaturamento e favorecimento empresarial.
Para agravar a situação, o contrato foi assinado no mesmo período em que o município decretou situação de emergência por conta da cheia dos rios, conforme registros públicos, o que torna o gasto ainda mais controverso.
Moradores classificaram o ato como um desrespeito à população que sofre com alagamentos e perdas materiais.
Com o valor de R$ 8,3 milhões, a Prefeitura de Itapiranga poderia investir em saneamento básico, reformas de escolas, melhorias na saúde pública ou programas de geração de emprego e renda.
Por enquanto, o dinheiro público será direcionado para estruturas de festas que duram poucos dias, mas deixam um rastro de indignação permanente entre os cidadãos.
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